Vida de professora primária

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Recebemos no início do ano uma listagem com cerca de mais ou menos 30 nomes. Olhamos para aquela lista tentando imaginar como será cada uma daquelas crianças, trocamos figurinhas com os colegas… De posse dessa lista vamos planejar a primeira semana de aula, anotamos no nosso caderno de planejamento novinho cheio de firulas, flores, corações, estrelinhas… canetas de diversas cores para destacarmos itens mais importantes. Começamos a pensar então em algo que vai marcar o nosso primeiro encontro com a criança, as músicas que serão cantadas, as dinâmicas que vamos fazer para tornar a aula mais divertida, as tarefas que serão dadas sem falar das balas, pirulitos e chocolates que algumas vezes entregamos no primeiro dia como se quiséssemos afirmar inconscientemente o nosso desejo de que nossos encontros a partir daquele dia sejam doces e alegres.

E assim seguem os outros planejamentos diários, buscamos dar cor, alegria, vida às nossas aulas e aquele espaço da sala vai se tornando mágico, um ambiente de cumplicidade, estabelecemos uma comunicação tão íntima com nossos alunos que não precisamos dizer muita coisa, basta olharmos: Por que fulaninho está assim hoje? Ele não está bem, o que será que aconteceu? e lá vamos nós com toda a nossa “psicologia intuitiva” encontrar formas mais apropriadas para lidar com aquela criança. Conversamos com as colegas, trocamos figurinhas a respeito da situação daquela criança. Levamos histórias e mais histórias para casa e contamos para nossos maridos e filhos.

Temos um desejo pulsante dentro do peito pelo sucesso de cada um dos nossos alunos e às vezes até metemos os pés pelas mãos em função disso, pois ficamos tentando fazer com que as famílias das crianças funcionem como nós desejamos e se elas não estão dentro do nosso padrão didaticamente correto temos uma tendência a justificar todas as dificuldades da criança são em função da família.  Precisamos ficar muito atentas a isto para não cairmos nessa armadilha e nos lembrarmos que somos apenas as professoras e que precisamos respeitar as famílias do jeito que são.

Temos uma tendência maternal gigantesca de querer colocar nossos alunos no colo, protege-los como galinhas chocas, as vezes ficamos preocupadas até com o tênis que a criança está calçando ou se blusa do uniforme está limpa ou suja… e isto acaba ficando pesado demais pois não somos superpoderosas a ponto de “consertar” a realidade daquela criança e se não soubermos nos limitar no nosso espaço de educadoras acabamos por invadir o espaço que não nos diz respeito e ficamos pesadas, tristes, deprimidas. É nesta hora que começam na maioria das vezes os desgastes emocionais dos professores quando ele põe a cabeça no travesseiro e aquele “fulaninho” continua saltando em seus pensamentos tentando achar a solução mágica para resolver a situação como se fosse detentora desse poder, um poder divino de resolver todas as coisas.

Mas se aquela coisa não se resolve, sabe o que acontece? Esta é a que considero a pior parte… Se apesar de toda nossa dedicação, esforço, carinho e amor não chegamos ao resultado que esperávamos começamos a nos sentirmos culpadas, começamos a nos questionar, o que fiz de errado? Será que não sou boa o suficiente? Começamos a acreditar que o insucesso ou o fracasso daquele aluno é reflexo da nossa falha como educador e aí começa outro processo muito comum que é buscar um “nome” ou um “diagnóstico” para aquele aluno, pois assim inconscientemente ficamos mais aliviadas afinal a criança tem problema o que tira de mim o peso de ser incompetente.

Não somos incompetentes, não temos a obrigação de fazer com que os alunos sejam 10 em todos os quesitos. Tire esse peso de você professor, olhe para dificuldade do seu aluno de maneira leve, com respeito ofertando o seu melhor para ajuda-lo a superar, estudando, lendo, se informando, oferecendo recursos que estejam ao seu alcance. Mas não se penalize pelo seu insucesso ou não acredite piamente que aquele aluno tem que ter um “problema” porque ele não aprendeu com você. Isso é a voz do nosso ego que fala alto e quer por que quer provar a todos a qualquer custo que somos altamente eficazes! vamos sair da febre que temos de patologizar a educação e achar que dificuldade de aprendizagem é necessariamente transtorno e doença porque não é!

A dica que deixo neste dia dos professores é fique no seu lugar de professor. Não carregue um peso que está além das suas forças, não crie esses pesos para si mesmo. Ame-se  e valorize-se pois só você sabe tudo que faz em uma sala de aula. Esteja de consciência tranquila de que o que você faz já é suficiente. Confie na sua capacidade, saiba que tudo o que faz, mesmo quando você falha não é motivo para se envergonhar e entristecer, mas motivo para crescer. Não se culpe, não se penalize e não deixe que ninguém faça isso com você tb.  Entre para sua sala de aula, ensine e sai leve com a certeza de missão cumprida! Simples assim!

Andréa Wolney

Acompanhe também o canal no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=-qC9vdGw-ks 

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