O maior medo de pais e professores

Tudo vai muito bem na escola até o momento onde a ansiedade e preocupação dos pais e professores começam a se manifestar e vão tomando uma dimensão cada vez maior. O que gera essa ansiedade? qual é o maior medo dos pais e professores?

O maior medo é  de que o seu filho ou aluno não aprenda! isso mesmo, são as famosas “dificuldades de aprendizagem”. É aí que todos os conflitos começam…

As dificuldades de aprender os conteúdos escolares surgem como uma semente de erva daninha que pode crescer e sufocar a grama do jardim, ou pode ser tratada com paciência e dedicação, num trabalho diário de atenção e cuidado.

Mas o que tem acontecido nos dias de hoje é justamente o contrário, estamos adubando as ervas daninhas e elas estão crescendo cada dia mais fortes e sufocando a beleza da grama que tenta se desenvolver. Estamos reforçando o problema em função do nosso medo e/ou ansiedade.

Visualize a seguinte situação: A mãe de Joãozinho, sete anos de idade, vai à escola e escuta da professora: “Seu filho está com dificuldade, não está aprendendo como as outras crianças…” Joãozinho está ali, em pé, ao lado da mãe. Daquele dia em diante, a professora pega Joãozinho duas vezes por semana, separado dos outros alunos para dar um reforço. A mãe em casa e diz ao marido: “Nosso filho não está aprendendo na escola”. Os pais juntos resolvem investigar a causa e levam Joãozinho a diversos especialistas: Neurologista, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo. A cada especialista vem a queixa inicial: “Joãozinho não aprende”. Passa-se então a uma bateria de exames onde nada é constatado. No churrasco da família o assunto é a dificuldade de Joãozinho. Joãozinho sempre ali curioso e atento a tudo.

Se você fosse o Joãozinho o que concluiria desse cenário todo? o óbvio: “eu não consigo aprender”.

Pronto! Aquilo que era para ser transitório se cristaliza, Joãozinho passa a ser olhado e percebido apenas neste aspecto. Fica estabelecida esta crença, este rótulo e a criança assume, por fidelidade e amor, aquilo que estão definindo para ela.

É preciso justificar a dificuldade do João. O foco, os olhares, as palavras reforçam o tempo inteiro o fracasso, a incapacidade. É necessário, um laudo médico, um relatório psicopedagógico apontando seus limites e definindo o seu futuro. Esse papel vai para o arquivo da escola e, já não são necessários muitos esforços, pois as dificuldades já foram identificadas, não existem responsáveis pelo não aprender, isso é um transtorno, um problema que diz respeito apenas a João que vai levar esse fardo a vida inteira… Não é necessário repensar modelos arcaicos de ensinar nem refletir sobre possíveis inadequações familiares, a culpa é do João, assim fica mais leve para todos (menos para o João)!

Em que momento neste processo as potencialidades foram estimuladas? Joãozinho sabe fazer um monte de coisa, é critico, curioso, tem boas idéias, é criativo, quando isto foi enfatizado? Quando na sala de aula ele pôde contribuir com as suas idéias orais, criativas e não só com escritas e contas? Será que foi dado o tempo suficiente para que ele pudesse construir seu conhecimento? Em que momento nas rodas de conversa da família foram ressaltadas as habilidades e talentos da criança?

Mas, não é só uma questão de falar, elogiar mecanicamente, é investir no seu potencial. É uma questão de acreditar! De olhar nos olhos de Joãozinho e ver a sua força, aquilo que ele faz de melhor e oportunizar que ele revele isto. Para além das habilidades escolares existe um ser humano que vai precisar saber administrar suas incapacidades e reconhecer suas potencialidades. Vai precisar fazer escolhas baseadas naquilo que tem de melhor para oferecer. Quem disse que esse melhor é apenas a capacidade cognitiva? apenas a leitura e o cálculo?

Vejo crianças que chegam na escola cheias de luz e alegria e que vão perdendo isto pelo fato de se sentirem incapazes diante das dificuldades. Sentem-se inferiorizadas e diminuídas. Não fazem parte do grupo. Vão ficando abatidas, entristecidas e agressivas.

Precisamos repensar conceitos e nos reconstruirmos enquanto educadores. Precisamos ampliar o nosso olhar para além do reforço negativo.  Precisamos fazer diferente, flexibilizar o espaço da sala de aula como um laboratório para a vida, para as relações saudáveis, para as emoções como a frustração e a auto-realização, o positivo e o negativo. É importante criar uma cultura de cooperação e não apenas de competição entre os alunos. Temos que oportunizar que as crianças identifiquem e nomeiem o que sentem sem constrangimentos e medo de não serem aceitas. Criar espaços para escolhas, tomadas de decisões, criatividade! Espaços para manifestação de talentos e habilidades.

Quando considerarmos todos estes aspectos a aprendizagem cognitiva, assim como todas as outras aprendizagens, vão fluir naturalmente como é a nossa essência de seres humanos que é evoluir sempre. Não existe involução, estamos  forçando para que isso aconteça com as nossas crianças!

Andréa Wolney

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