Educação Especial, um olhar quântico

A inclusão hoje é garantida na lei, nas normas, nas regras. Temos espaços privilegiados para a diferença, nas escolas, nos hospitais, nos estacionamentos, nos concursos públicos. Essa é uma etapa essencial do nosso processo evolutivo enquanto sociedade. Precisamos, no entanto, continuar aperfeiçoando essa “inclusão” para além das regras oficiais.

Todo esse realce para as diferenças, trouxe consigo um aspecto segregador.  “Se é especial, é diferente… Se é diferente fica separado! Não se iguala, não se mistura, tem um lugar à parte.” Fala-se de estratégias diferenciadas, recursos especializados, profissionais capacitados… Ok… mas em que momento este aluno é igual? Em que situações ele simplesmente é o que é, sem ninguém tentar modificar?

Muitas vezes, na escola, com a melhor intensão e cheio de vontade de contribuir positivamente com a criança especial, o professor age sem se dar conta de que esta diferenciação pode muitas vezes dificultar o desenvolvimento natural. A criança com Necessidade Educacional Especial sempre tem que estar respondendo a expectativas de superação e melhoras relativas ao seu jeito de ser.

Acontecem algumas situações como: todas as crianças entram na sala, cada uma escolhe seu lugar. A criança especial tem um lugar definido não pode escolher. Todas as crianças recebem a tarefa igual, para criança especial sua tarefa é diferente. A professora não dá tanta atenção para as outras crianças mas senta-se ao lado da criança especial por longos períodos… Sabe, não estou condenando aqui algumas ações que precisam ser adotadas, a reflexão é: em que momentos meu aluno é realmente tratado como igual? “Ah, Andréa, agora vou largar o meu aluno e não vou ensinar nada a ele já que não é para tratar diferente?” Muito cuidado com as generalizações. O caminho do “meio” sempre é a melhor alternativa. Oportunizar a igualdade, a expressão natural da criança especial, olhar para o desejo dela e o que ela traz de contribuição, são algumas ações que precisam ser adotadas na escola. Assim tudo fica mais leve para o professor e para o aluno. Aceitar a diferença não é querer impor um padrão de normalidade, é conviver amorosamente, sem o olhar de piedade ou pena, respeitando aquilo que é. Quando o foco está apenas na dificuldade não é possível olhar para as potencialidades.

Se você quiser entender com mais clareza o que estou dizendo observe silenciosamente a criança com necessidades especiais no recreio, ou em outros espaços fora da sala. Como está o seu relacionamento com o grupo? Provavelmente ele brinca separado, ou tenta se aproximar e é muitas vezes desconsiderado pelas outras crianças. Este é um bom termômetro para avaliarmos a efetividade da inclusão. Se o aluno consegue realmente interagir, se comunicar, transmitir sua mensagem, compartilhar seus desejos com os demais fora de uma situação de controle do adulto estamos no caminho certo.

Quando iniciei o meu projeto de Pedagogia Quântica, pelo fato de trabalhar com crianças especiais, algumas pessoas questionaram: “ Porque você não cria atividades específicas para crianças especiais?” a minha resposta é simples: Porque aquilo que ensino para meu aluno especial, ensino para qualquer outra criança. Meus alunos estão juntos, não estão separados. Eles pertencem a uma turma e aquilo que é bom para ele é bom para todos! As crianças especiais contribuem muito com o grupo, elas ensinam aquilo que vai além do currículo, elas ensinam o que é essencial nas relações, o amor!

Quando converso com as professoras das crianças especiais, todas elas, sem exceção, relatam que os alunos apresentam resistência em fazer a tarefa “diferente” dos colegas. Porque? Porque é essencial pertencer! Isto está muito claro na postura das crianças, o desejo de fazer parte! Quando eu diferencio, eu segrego!

Precisamos desconstruir crenças do nosso inconsciente coletivo onde ficou registrado todo o histórico de sofrimento e exclusão em relação às necessidades especiais. Agimos sem nos dar conta da segregação sutil que acontece por traz das  ações  cotidianas. Nós professores devemos nos colocar no lugar de observadores da nossa postura com muita verdade e coragem para identificar essa memória que atua em todos nós.

A Pedagogia Quântica desperta estas reflexões. Inclui reconhecendo a potencialidade de cada um independente das diferenças. Somos todos um!

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