Conflitos entre pais e professores

Que professor já não passou por situações difíceis com pais de alunos? Em alguns momentos, por mais que você desenvolva bem o seu trabalho, que se empenhe em oferecer o melhor para seus alunos, vai ter que lidar com a insatisfação de alguns pais…. Vou contar a vocês uma situação que aconteceu comigo e como eu pude sair dela sem sequelas de decepção, frustração e tristeza…

Atualmente sou professora de Sala de recursos, trabalho com crianças com necessidades educacionais especiais. Tive uma aluna com Deficiência Intelectual que acompanhei durante alguns anos. Quando ela completou 15 anos, ainda não tinha concluído o seu processo de alfabetização e precisei encaminhá-la para outra escola. Chamei o pai para esclarecer a situação e assinar alguns documentos. Ao explicar tudo, ele ficou muito nervoso e começou a falar alto e muito severamente comigo: “Minha filha não aprendeu nada nesta escola”, “Aqui só tem gente incompetente”, “Ninguém foi capaz de ensinar nada para minha filha”… Aquelas palavras me atingiram como flecha. Fiquei tensa, respiração acelerada, coração disparado, estava me preparando para me defender veementemente daquelas acusações. Em questão de segundos muitas coisas passaram por minha cabeça: “Como eu não ensinei nada? Posso provar toda a minha dedicação mostrando as atividades, gráficos, relatórios. Posso mostrar como ela estava ao chegar na escola e o tanto que avançou até sair. Como este pai tem a coragem de fazer esse tipo de acusação? ” Meu sangue ferveu.

Ao invés de agir no piloto automático, sem analisar a situação, coloquei-me então em outra postura interna. Enquanto o pai falava e esbraveja, respirei profundamente, e fui dizendo a mim: esta dor não é minha! Permaneci conectada ao olhar do pai e fui relaxando internamente dizendo em pensamento: “eu respeito a sua dor” “eu vejo o seu amor de pai”. Repeti estas frases várias vezes silenciosamente sem deixar me afetar pelas palavras dele. Ao final, permaneci conectada ao seu olhar e disse com segurança e firmeza: “Pai, nesta escola, eu e todos os profissionais que trabalham aqui fizemos o que de melhor poderíamos fazer por sua filha”. Peguei os documentos e pedi para que ele assinasse. Um silêncio profundo se instalou na sala. Ele leu e assinou tudo que precisava, se despediu e saiu da sala. Mal completou o terceiro passo voltou e disse: “Professora, eu preciso te confessar uma coisa… eu não queria que a minha filha saísse dessa escola. Eu sei que ela está segura e protegida aqui…” Então eu respondi a ele, “fique tranquilo que a sua filha vai conseguir, ela tem a sua força e da sua esposa, fizeram um bom trabalho! ” O pai abriu um sorriso, me deu um abraço. Ele saiu leve e eu fiquei leve! Como podemos analisar esta situação?

Aquele pai estava em sofrimento, com medo do que sua filha iria enfrentar, uma adolescente com deficiência intelectual em uma escola com crianças maiores, um ambiente completamente novo e arriscado, na concepção dele. Pude perceber claramente que cada pessoa age de acordo com o significado que dá para sua experiência. Este pai não sabia lidar com aquela dor, e na tentativa de preservar a filha acreditou conseguiria mantê-la na escola afirmando que ela não tinha aprendido nada e no meio de toda sua revolta passou a agredir verbalmente os profissionais que atuaram com ela, tudo isso no impulso cerebral emotivo. Quando agimos movidos unicamente pelo sistema límbico, sem a capacidade de ponderação e análise o comportamento fica desregulado, inadequado, agressivo…

Somos invadidos diariamente por situações adversas que nada mais são que manifestações de significados internos. Cada um se revela de acordo com aquilo que carrega. Quando podemos ter uma atitude consciente sem nos deixar contagiar pelo sofrimento do outro fica bem mais leve lidarmos com situações conflituosas sem carregar mágoas e julgamentos. Na situação vivenciada a minha postura foi de me manter no meu lugar de professora, segura de ter feito a minha parte e principalmente respeitando a dor do pai.

Para isto o professor precisa se cuidar emocionalmente. Precisa conhecer e praticar estratégias de gerenciamento das emoções e desenvolvimento pessoal. Administrar adversidades passa por este controle interno, pela percepção clara da situação mantendo assim o distanciamento necessário para a tomada de consciência. Como profissionais da educação precisamos zelar por nosso bem-estar interno, só assim poderemos contribuir efetivamente com nossos alunos, com as famílias e com o nosso ambiente de trabalho. Como você está se nutrindo emocionalmente professor? Quais as estratégias você está utilizando para se manter equilibrado e saudável? A Pedagogia Quântica provoca estas reflexões e traz possibilidades de ação, venha conhecer!

Andréa Wolney

 

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